As melhores cidades da China para visitar formam uma lista mais longa — e mais surpreendente — do que a maioria dos brasileiros imagina antes de planejar a viagem. A China não tem só Muralha e pandas: ela tem metrópoles que parecem do futuro, cidades medievais escondidas entre montanhas, cidades costeiras com alma europeia e vilarejos que parecem cenários pintados à mão.
O ranking aqui vai da cidade mais procurada pelos brasileiros às menos óbvias. Para sete das onze cidades eu escrevo com a cabeça cheia de memórias — estive lá em outubro de 2024, passei por cada uma dessas ruas, comi em cada um desses mercados. Para as outras quatro, o que você vai encontrar é um panorama honesto com o que pesquisei antes e depois da viagem. Não finjo ter ido a lugar nenhum onde não estive.
Use este post como ponto de partida para decidir quais cidades entram no seu roteiro — e depois mergulhe no guia completo de cada uma.
1. Pequim
Pequim é daqueles destinos que você sabe que precisa ir ao menos uma vez na vida. É a capital da China, o centro político do país e o ponto principal para entender como essa civilização chegou até aqui. E, sim, é a cidade de partida para ver a Muralha da China — que é basicamente a Torre Eiffel da China. Não tem como ir até o outro lado do mundo e não conhecer esse monumento.
Dito isso: Pequim não é a cidade mais fácil de se visitar. Ela é enoooorme, não muito caminhável e a distância entre os pontos de interesse é grande. O layout lembra um pouco Brasília misturada com a influência soviética — superquadras imensas, grandes avenidas, um ar bem institucional. A vida cotidiana dos moradores é muito gostosa de observar, com pracinhas cheias de idosos jogando mahjong e parques arborizados em cada esquina. Mas o turismo em si exige planejamento e deslocamentos longos. Evite a Golden Week (primeira semana de outubro) a qualquer custo.
Recomendo para quem gosta de história, quer entender a China como país e, claro, quer ver a Muralha. Para quem busca uma cidade mais viva e caminhável, talvez Pequim decepcione um pouco.
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2. Shanghai
Shanghai foi a minha maior surpresa da viagem. Depois de oito cidades na China, eu achei que ia chegar em Shanghai já meio saturada. Não aconteceu. A cidade me pegou do jeito que poucas cidades conseguem — pela pluralidade.
É a Nova York da China, mas mais dinâmica. Você consegue viver diversas versões da China dentro de uma mesma cidade: a Old Town com arquitetura chinesa tradicional, os bairros com prédios europeus que restaram das concessões estrangeiras do século XIX, o skyline futurista de Pudong com seus arranha-céus modernos e uma cena gastronômica, de bares e cafés que não fica nada devendo a nenhuma metrópole mundial. Quase todo mundo fala pelo menos um inglês básico, o que torna a experiência mais fluida para quem está começando a explorar o país.
Se você tem pouco tempo e precisa escolher entre Pequim e Shanghai, eu fico com Shanghai. E para quem tem tempo, o ideal é passar mais dias aqui do que na capital.
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3. Chongqing
Se você já viu aqueles vídeos virais de um trem passando dentro de um prédio, já viu Chongqing. Esta é a maior cidade da China e uma das mais impressionantes do mundo — construída em cima de morros íngremes, cortada pelo Rio Yangtze e pelo Rio Jialing, com prédios que cresceram nos desníveis de um jeito que a cabeça não consegue processar de imediato. Você entra num edifício pelo 1º andar de uma rua e sai pelo 10º andar de outra rua completamente diferente.
Já estive em Tóquio, Istambul e vivi anos em São Paulo — nenhuma delas tem a densidade visual de Chongqing. Lembra muito São Paulo, inclusive, só que depois de tomar uns anabolizantes. Não é a cidade mais confortável de se visitar: o calor, o relevo e o ritmo acelerado cansam. Mas o hot pot servido dentro dos bunkers da Segunda Guerra Mundial, as ruas iluminadas, a neblina permanente sobre os rios e essa paisagem urbana absolutamente única fazem de Chongqing um destino para nenhum roteiro botar defeito.
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4. Shenzhen
Quinze minutos de trem a partir de Hong Kong e você chega em uma cidade que parece ter saído de um filme de ficção científica. Shenzhen foi o nosso primeiro contato com a China continental, e é difícil imaginar entrada mais impactante: arranha-céus com designs impossíveis, motinhos elétricas por toda parte, drones voando pelo céu fazendo entregas. Uma cidade construída do zero em menos de 45 anos — em 1980 era uma vila de pescadores com 30 mil habitantes.
O que Deng Xiaoping criou em Shenzhen foi um laboratório de capitalismo dentro do modelo socialista chinês: a primeira Zona Econômica Especial do país, com incentivos fiscais, abertura para investimento estrangeiro e liberdade comercial que não existia em mais nenhum lugar. O resultado é o lugar mais futurista que já visitei — faz qualquer outra cidade do mundo parecer museu. Ideal para quem quer entender o milagre econômico chinês com os próprios olhos.
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5. Chengdu
Chengdu é a minha cidade favorita na China, e não foi amor à primeira vista — foi construído dia a dia durante os 7 dias que passamos por lá (o plano original eram 4 noites; cancelamos Xi’an para ficar mais). É a capital da província de Sichuan, e é onde você encontra muitos dos símbolos que associamos à China tradicional: a cor vermelha, a comida apimentada, as lanternas de seda, os templos bem preservados — e, claro, os pandas gigantes.
O que diferencia Chengdu das outras metrópoles é o ritmo. Ela é grande, moderna, tem arranha-céus e polo tecnológico, mas tem uma energia mais zen, mais humana. É o berço do taoísmo, uma tradição que prega a harmonia com o cosmos, e isso parece contaminar os moradores de um jeito real: mais gente nos parques, mais cachorros passeando, viadutos cobertos de plantas criando um contraste lindo com a cidade moderna. É também a cidade mais gay da China, com uma comunidade LGBTQIA+ bastante presente e visível. Cena de moda, gastronomia, teatro e casas de chá em todo lugar. Tudo isso sem o trânsito de Chongqing nem os preços de Shanghai.
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6. Hong Kong
Hong Kong foi a nossa primeira parada na viagem, e foi a melhor escolha que poderíamos ter feito. Depois de mais de 24 horas de voo com escala, o corpo pedia pelo menos uma cidade onde o celular funciona, as pessoas falam inglês e o cartão de crédito passa. Hong Kong entrega tudo isso — e ainda é fisicamente na Ásia, do lado da China continental.
É um lugar fascinante por direito próprio: 156 anos de colônia britânica deixaram marcas visíveis em tudo, dos ônibus double-decker às ruas com nomes em inglês, mas a alma oriental está em cada esquina, cada mercado, cada prédio lotado de andares empilhados. Para quem vai pela primeira vez à China, Hong Kong funciona como o melhor soft opening possível: você se acostuma ao ritmo asiático com rede de segurança. Para quem gosta de compras, é o paraíso. Para quem viaja com parceiro ou grupo diverso, a vida noturna é animada e plural.
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7. Yangshuo
Yangshuo é a resposta para quem precisa de um respiro no meio das megacidades. A região fica na província de Guangxi e tem uma geografia que parece irreal: milhares de morros com formato cônico, às margens do Rio Li, cercados de plantações de arroz que se estendem até onde a vista alcança. Foi um dos cenários naturais mais marcantes que já vi — e olha que já fui à Capadócia. Se você gostou da Turquia, Yangshuo vai fazer o mesmo com você.
Com “apenas” 300 mil habitantes, é a menor cidade que visitamos, e esse contraste com as metrópoles chinesas é parte do charme. Alugamos moto elétrica e passamos o dia explorando o campo, indo de vilarejo em vilarejo entre os morros. Dá para ficar 4 dias facilmente, e quem tem mais tempo vai querer ficar mais. É a China rural, mas preparada para turistas — sem abrir mão da autenticidade.
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8. Hangzhou
Hangzhou é uma das cidades mais visitadas da China por turistas domésticos — e ainda relativamente subestimada pelos estrangeiros. A cidade é famosa pelo Lago Oeste (West Lake), um complexo de ilhas, templos, jardins e pavilhões que inspirou poetas e pintores chineses por séculos. É patrimônio UNESCO e um dos cartões-postais mais reconhecíveis do país.
Fica a apenas uma hora de Shanghai de trem-bala, o que a torna uma excelente excursão de um dia ou uma parada de uma ou duas noites no roteiro. Hangzhou também é sede da Alibaba, o que lhe dá uma camada tecnológica e moderna interessante por baixo da imagem clássica de cidade histórica. Viajantes apontam a combinação de natureza, chá (a região produz o famoso Longjing), gastronomia e patrimônio como um dos seus maiores atrativos.
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9. Xi’an
Xi’an é a cidade que guarda um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo: o Exército de Terracota, com mais de 8 mil soldados de argila enterrados há mais de dois mil anos para proteger o primeiro imperador da China na vida após a morte. Só por isso já vale a viagem.
Mas Xi’an oferece muito mais do que os guerreiros. É uma das cidades mais antigas da China, antiga capital imperial e ponto de partida histórico da Rota da Seda. A cidade ainda conserva sua muralha medieval intacta — quem visita relata que passear de bicicleta sobre ela é uma das experiências mais marcantes da China. O Bairro Muçulmano, com sua mistura de culinária árabe e chinesa, é outro destaque que atrai visitantes de todo o mundo.
10. Zhangjiajie
Zhangjiajie é o destino de natureza mais espetacular da China — e provavelmente um dos mais impressionantes do mundo. Os pilares de arenito que sobem verticalmente da névoa no Parque Nacional de Zhangjiajie serviram de inspiração visual para as montanhas flutuantes do filme Avatar, e ver as fotos não prepara você para o que é estar lá.
Quem visitou descreve a experiência como algo difícil de colocar em palavras: são mais de 3 mil dessas formações rochosas cobertas de vegetação, conectadas por pontes de vidro (incluindo a maior ponte de vidro suspensa do mundo), teleféricos e trilhas que exigem disposição mas recompensam com paisagens que parecem pintadas. É um destino que exige mais planejamento logístico do que as grandes cidades, mas viajantes que fizeram o esforço unanimemente dizem que valeu cada detalhe.
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11. Guangzhou
Guangzhou fecha o ranking não por ser menos interessante, mas por ser menos turística no sentido clássico. É a terceira maior cidade da China, capital da província de Guangdong e um dos maiores polos comerciais do país — uma cidade de negócios de primeira linha, com feiras internacionais que movimentam compradores do mundo inteiro, incluindo muitos brasileiros que vêm importar produtos.
Para o viajante que não vem a negócios, Guangzhou tem atrações genuínas: a gastronomia cantonesa (a mais conhecida da culinária chinesa fora da China), o Templo dos Seis Banians, o Jardim Yuexiu e uma cena cultural ativa. A cidade também é porta de entrada natural para Shenzhen e Hong Kong, sendo muito bem conectada pelas linhas de trem-bala da região. Viajantes que passaram por lá descrevem uma cidade dinâmica, menos visada por turistas estrangeiros do que merece.
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Planejando sua viagem para a China?
Se você está montando um roteiro pela China, provavelmente vai travar nos mesmos detalhes que a maioria: VPN, Alipay, visto, trem-bala, como reservar hotel sem cartão internacional. O guia 30 Dias na China cobre tudo isso na prática.
